Segunda lição

25 maio, 2009

São poucas as páginas que compõem a segunda lição de Freud. No entanto, são por demais densas e produtivas de profundos pensamentos no que tange o entendimento do ser humano. Nestas páginas, Freud nos mostra como se diferenciou de Charcot, que não tinha propensão para pensamentos psicológicos, e Janet. Do primeiro, divergiu por estar definitivamente preocupado com os processos psíquicos que originavam a histeria. Do segundo, divergiu quanto ao caráter degenerativo do sistema nervoso que Janet atribuía as histéricas.

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Primeira Lição

18 maio, 2009

Freud tem, no volume XI de suas obras completas (Edição Stardard Brasileira), uma série de cinco conferências publicadas chamadas Cinco Lições de Psicanálise. Nestas lições, ele comenta sobre como a psicanálise foi descoberta e desenvolvida.

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E se todos os dias…

30 março, 2009

Inspirado pelo filme
Groundhog day

 

… fossem 25 de dezembro? E se eu acordasse de novo naquele mesmo dia em que lhe conheci? Se eu lhe dissesse que vivo eternamente no dia 25, que faria?

Meu único lamento seria você não se lembrar do 25 anterior. Mas eu veria seus olhos se apaixonarem pelos meus com a mesma sinceridade de todos os outros dias. Não se apaixonaria de novo, mas sim pela primeira vez todos os dias. Eu me apaixonaria pela primeira vez continuamente, porque seria inútil eu usar a mesma paixão antiga e gasta contra a autenticidade da descoberta. Naquele dia você diria sempre que nunca deixou de me querer. Lembra?

Redescobriríamos o amor a cada dia pela primeira vez. Mesmo que a levasse a novos lugares. Fizesse coisas diferentes.

Todos os dias seriam o primeiro. E todos os outros se tornariam em 25.

Questão de Direito

10 março, 2009

Em homenagem ao sarau Eleituras.

 

Soubera de um certo sarau temático sobre Os sete pecados capitais. Comecei, então, a procurar por eles em vias de poder relatar a experiência. De início, a gula se fez clara pela falta de um “r” comido de Releituras. Pobre “r”… não bastasse a nova gramática, faltaram ao guloso escrúpulos em comê-lo.

Como ainda outros “rr” existem por aí, resolveram se vingar. Utilizaram-se de toda a ira que possa dispor a uma letra, ou grupo de letras, e organizaram um multirão. Atacaram o Rio de Janeiro. Pórrrta. Pôrrrteira. Pôrrrtão. Nas ruas foi um alvoroço. Porrra bródi, tu tinha qui vê a galiera puxando o érrre. Como não se controlaram, o invejoso “s” mostrou para o que veio. Exxtava na exxquina da exxcola exxperando o ônibuxx. Ira e inveja em um só parágrafo, na mais pura ganância ou avareza que um parágrafo pode ter.

Já que citei a nova gramática, gostaria de lembrar que neste últimos tempos cometeram um dos maiores atos de luxúria já vistos em uma língua. É que misturaram em um só quarto todos os idiomas portugueses a fim de tirar um filhote em comum. Eu, que não sou dado a orgias com este fim e propósito, fiquei de fora, com modos antigos, a escrever tremas e acentos diferenciais puramente morais, mas necessários, no meu entendimento. Chamem de vaidade se quiserem.

Para a preguiça, pensei mesmo em dizer sobre a falta de vontade literária de nosso querido Brasil. Mas, talvez por preguiça, julguei não ser o caso para tanto. Preferi escrever algo mais leve. Sobre a preguiça aparente ao tratarmos determidados assuntos como corrupção, assassinato ou desigualdade social. Mesmo os pecados capitais, que de início eram oito, mudam ao longo dos anos. Impomo-nos regras morais em número de sete sendo que as maiores atrocidades da humanidade são perpassadas por questões para além dos pecados. Estas questões nunca mudaram.

Não é pecado capital matar. Nem roubar. Ou mentir. Não é direito humano sonhar, nem surtar, se distrair. Não é pecado a impunidade. Nem direito a criatividade.

Questão de justiça: o que é pecado e o que é direito?

Se eu fosse letras, se pudesse me dar ao luxo de escolher-me a mim para gritar algo para o mundo, escolheria a frase: O mundo está ao contrário!

Vanity cards, do Chuck Lorre

24 fevereiro, 2009

Chuck Lorre é o criador e produtor de duas recentes séries de televisão que passam nos canais fechados. O Two and a half men e o The Big Band theory (traduzidos livremente por Dois homens e meio e A teoria do Big Bang). O humor ácido e direto de Lorre tem feito sucesso no Brasil.

Uma curiosidade: ao final de cada episódio destas duas séries, Chuck coloca no ar um cartão que ele escreve após cada episódio. Vanity card não tem tradução precisa, mas a Wikipedia diz que é um logotipo de produção que promove uma marca. A palavra Vanity em si pode ser traduzida tanto como Orgulho excessivo (excessive pride) quanto como Vazio (emptiness). Talvez o nome Vanity não tenha sido em vão, e parece que as três definições fazem sentido. É um cartão que promove o Chuck Lorre, escrito com orgulho e sarcasticamente dito vazio, o que é característico no humor de Lorre. Para conferir cada cartão é preciso gravar o final dos episódios até depois de todos os nomes e créditos. Isto porque cada cartão aparece por menos de um segundo em uma tela de fundo branco. Para ler na televisão, pause o vídeo no fundo branco. A outra opção é entrar na página do autor e conferir todos os cartões já publicados (em inglês).

Até aqui, nenhuma novidade para os aficcionados nestas séries. O que talvez possa ser interessante é que existem alguns cartões que a CBS, produtora dos episódios nos Estados Unidos, censura. Sim, a censura também atua por lá e os brasileiros deviam mesmo saber que o “Free world” (mundo livre), como eles gostam de se intitular, é livre às custas de eficaz controle das liberdades. Inclusive atuando sobre a liberdade de outros países, de maneira direta e indireta. Lembre: esta não é uma discussão sobre quem é ou deveria ser livre, ou ainda sobre como deveríamos ser. É antes e tão somente um alerta para o fato de que a total liberdade pregada pela democracia estadunidense não é tão verdadeira quanto eles querem.

Lorre é um dos alvos. Como eu disse antes, alguns de seus Vanity cards foram censurados pela própria emissora e nunca puderam ir ao ar. Mas nós, claro, conhecemos as artimanhas. Ou passaremos a conhecer agora.

O cartão #171 foi o primeiro a ser banido do ar. Para que não passasse em branco, Lorre escreveu outro para que fosse ao ar. Pena estar em inglês, mas faço uma tradução livre: “Censurado, disponível para leitura se você souber onde procurar”. O #217 é sobre censura e foi censurado. Chuck nos alerta, mais uma vez, que se soubermos onde procurar poderemos ler o conteúdo alvo da censura. Pois bem, aqui vai.

Para ler o conteúdo censurado basta adicinar a letra “c” ao final do link de cada cartão. Por exemplo, o link do cartão #171 é este:

http://www.chucklorre.com/index.php?p=171

Para acessar o conteúdo que não foi ao ar apenas adicione “c” ao final deste link e pronto:

http://www.chucklorre.com/index.php?p=171c

Quero aproveitar o tema Censura para comentar um cartão de Lorre que não foi censurado. O #155. É uma carta aberta à FCC (Comissão Federal de Comunicação, em inglês). Este órgão é o regulador de conteúdos e censuras nos Estados Unidos entre outras atribuições. Na carta, Lorre diz que determinar o que é vulgar baseado no “caso a caso” claramente confunde a todos. Então ele propõe uma solução para evitar desentendidos. Listado em duas colunas se vêem coisas Comumente boas e Comumente ruins. Nas boas: Celebrar os buracos humanos criados por Deus, Beijar consensualmente, Mostrar qualquer parte do corpo, Palavras que provoquem emoção ou fazem rir. Nas ruins: Celebrar buracos humanos criados por humanos, Atirar e explodir não consensualmente, Mostrar qualquer parte do corpo levando tiros, Palavras que provoquem violência. Depois disto, diz que esta seria uma maneira bastante saudável de pensar a menos que se queira criar uma cultura baseada no medo, com sede de sangue e feliz com guerras, entre outras coisas. “Mas parece não ser o caso”, ele diz. Sarcasticamente, claro.

Em um certo sentido, não teria ele razão?